‘Quero ser jogador de futebol!’. Esta é uma frase muito comum de se
ouvir quando perguntamos às crianças o que elas querem ser quando crescerem. E
isto é algo que acontece em todas as classes sociais do nosso país. Vemos
crianças de rua apostarem todas as fichas de seu futuro na oportunidade de
jogar futebol profissionalmente, tanto quanto vemos jovens de classe média e
alta estarem dispostos a largar tudo que tem para seguir uma carreira neste
meio. Mas até que ponto isso vale a pena? É racional abrir mão de seus
primeiros planos de vida, para arriscar-se em um futuro incerto e nebuloso como
o do futebol?
Este esporte já ‘salvou’ sim
muitas vidas, e não são poucos os casos que poderiam ser citados aqui. Jovens
sem escolaridade tentaram a sorte através de seu talento, e anos depois figuram
nos maiores clubes brasileiros e europeus e tem uma vida confortável
financeiramente. Se formos ver, e pensar apenas por esse lado, chegaríamos à
conclusão de que é ótimo correr atrás desse sonho, afinal, quem não gostaria de
tornar-se um jogador, ter fama, dinheiro e ser reconhecido e querido
mundialmente? Mas infelizmente, nem tudo são flores, existe um lado negro – e
muito negro – nos bastidores do futebol quando o assunto é a carreira de jovens
atletas.
Atualmente, no futebol
profissional, muitos clubes sofrem com as influencias de empresários nos seus
jogadores. Mas não é disso que vamos falar aqui, e também não é só nessa
categoria (profissional) que o esporte passa por maus bocados. Muitos jovens
atletas e seus pais são aliciados por falsos agentes, acreditando na promessa
de que haverá um futuro promissor no meio futebolístico e acabam tomando
grandes golpes.
Um caso, para exemplificar por
quais situações o jovem passa quando vai correr atrás do seu sonho, é o de
Felipe, 17 anos. O falso agente, em troca de uma quantia em dinheiro, levou o
jovem ao Espírito Santo, para supostamente ficar treinando num centro esportivo
até transferir-se para um clube da Europa. Resultado : a história era uma
mentira e o garoto ficou abandonado. “Ele fez meu filho passar fome e no
finalzinho, ainda falou pra mim: ‘ou você compra a passagem do seu filho e
manda ele pra lá ou ele vai dormir na rua’" (sic), lembra Jair Araújo, pai
de Felipe.
Já com Vitor Hugo, o falso
agente forjou um fax como se fosse da Federação Portuguesa de Futebol. “Perdi
R$ 9 mil, foi uma encenação muito bem feita”, conta a mãe deles, Kátia Soares. Neste
caso, o aspirante a jogador ficou tão desiludido que perdeu a vontade de correr
atrás do seu sonho. Vitor chegou a tirar o passaporte às pressas e esperar, no
aeroporto, por um embarque que nunca aconteceu. “Não quero mais saber de
futebol, perdi o gosto. Agora é só como lazer mesmo, com os amigos, não vou
passar por isso de novo", diz o rapaz.
Além do lado financeiro e do
abandono, muitos falsos agentes levam os atletas para clubes de fora da cidade
e praticam atos de pedofilia com os mesmos, e, infelizmente, esses e os casos
citados acima são muito recorrentes até hoje. Já foi criada uma lei que proíbe
a transferência de atletas brasileiros menores de 18 anos para clubes europeus,
mas como em toda lei, existem exceções, e são nessas brechas que os empresários
agem.
Afinal, vale a pena correr
atrás desse sonho, mesmo sabendo dos perigos que o rondam?
Nenhum comentário:
Postar um comentário