quinta-feira, 3 de maio de 2012

Debate Jota #01

Essa é a primeira edição do Debate Jota, onde analisamos a hegemonia do Barcelona, a saída de Pep Guardiola da equipe espanhola e a possibilidade do técnico dirigir a seleção brasileira. O vídeo teve participação especial do estudante José Rubens.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sonho ou pesadelo? Vale a pena largar tudo para tornar-se um jogador de futebol ?

Foto: Eduardo Heleno


‘Quero ser jogador de futebol!’. Esta é uma frase muito comum de se ouvir quando perguntamos às crianças o que elas querem ser quando crescerem. E isto é algo que acontece em todas as classes sociais do nosso país. Vemos crianças de rua apostarem todas as fichas de seu futuro na oportunidade de jogar futebol profissionalmente, tanto quanto vemos jovens de classe média e alta estarem dispostos a largar tudo que tem para seguir uma carreira neste meio. Mas até que ponto isso vale a pena? É racional abrir mão de seus primeiros planos de vida, para arriscar-se em um futuro incerto e nebuloso como o do futebol?
    Este esporte já ‘salvou’ sim muitas vidas, e não são poucos os casos que poderiam ser citados aqui. Jovens sem escolaridade tentaram a sorte através de seu talento, e anos depois figuram nos maiores clubes brasileiros e europeus e tem uma vida confortável financeiramente. Se formos ver, e pensar apenas por esse lado, chegaríamos à conclusão de que é ótimo correr atrás desse sonho, afinal, quem não gostaria de tornar-se um jogador, ter fama, dinheiro e ser reconhecido e querido mundialmente? Mas infelizmente, nem tudo são flores, existe um lado negro – e muito negro – nos bastidores do futebol quando o assunto é a carreira de jovens atletas.
    Atualmente, no futebol profissional, muitos clubes sofrem com as influencias de empresários nos seus jogadores. Mas não é disso que vamos falar aqui, e também não é só nessa categoria (profissional) que o esporte passa por maus bocados. Muitos jovens atletas e seus pais são aliciados por falsos agentes, acreditando na promessa de que haverá um futuro promissor no meio futebolístico e acabam tomando grandes golpes.
   Um caso, para exemplificar por quais situações o jovem passa quando vai correr atrás do seu sonho, é o de Felipe, 17 anos. O falso agente, em troca de uma quantia em dinheiro, levou o jovem ao Espírito Santo, para supostamente ficar treinando num centro esportivo até transferir-se para um clube da Europa. Resultado : a história era uma mentira e o garoto ficou abandonado. “Ele fez meu filho passar fome e no finalzinho, ainda falou pra mim: ‘ou você compra a passagem do seu filho e manda ele pra lá ou ele vai dormir na rua’" (sic), lembra Jair Araújo, pai de Felipe.
    Já com Vitor Hugo, o falso agente forjou um fax como se fosse da Federação Portuguesa de Futebol. “Perdi R$ 9 mil, foi uma encenação muito bem feita”, conta a mãe deles, Kátia Soares. Neste caso, o aspirante a jogador ficou tão desiludido que perdeu a vontade de correr atrás do seu sonho. Vitor chegou a tirar o passaporte às pressas e esperar, no aeroporto, por um embarque que nunca aconteceu. “Não quero mais saber de futebol, perdi o gosto. Agora é só como lazer mesmo, com os amigos, não vou passar por isso de novo", diz o rapaz.
    Além do lado financeiro e do abandono, muitos falsos agentes levam os atletas para clubes de fora da cidade e praticam atos de pedofilia com os mesmos, e, infelizmente, esses e os casos citados acima são muito recorrentes até hoje. Já foi criada uma lei que proíbe a transferência de atletas brasileiros menores de 18 anos para clubes europeus, mas como em toda lei, existem exceções, e são nessas brechas que os empresários agem.
   Afinal, vale a pena correr atrás desse sonho, mesmo sabendo dos perigos que o rondam?

O "inteligente" calendário do futebol brasileiro



Foto: medicina.ufmg.br

O calendário do futebol brasileiro está claramente ultrapassado. Além de não possibilitar o descanso e preparo necessários na mudança de temporadas, prejudica as equipes, que ficam arriscadas a perder jogadores para os clubes europeus, que têm calendário diferente.

Toda temporada ouvimos reclamações de técnicos e jogadores quanto ao excesso de jogos em um curto espaço de tempo e o pouco tempo de descanso. Ao meu ver, a origem do problema é muito clara: o Brasil é o único país de grande expressão onde o campeonato nacional não é disputado durante toda a temporada. Isso ocorre pois temos os campeonatos estaduais, que tomam quase metade da temporada. Mesmo sendo muito tradicionais, essas competições não têm mais o mesmo "charme" de antigamente e muito menos o mesmo interesse dos torcedores.

Os estaduais, hoje, têm um formato que apenas atrapalha o calendário do Campeonato Brasileiro. Com excesso de times, é muito difícil ver "zebras", e assim normalmente os clubes grandes vencem. E porque tantas equipes e jogos se sempre os mesmos times vencem? Não sou a favor do fim dos estaduais, mas sim da adaptação deles num calendário que possibilite pré-temporadas longas e descanso entre os jogos.

Vejo uma solução muito clara: a adaptação do calendário brasileiro, ao calendário inglês. E porque o inglês? Pois no país onde surgiu o futebol as equipes grandes disputam até 4 competições durante a temporada: o Campeonatos Inglês, a Copa da Inglaterra, a Taça da Liga e uma competição continental (Liga dos Campeões ou Liga Europa), e ainda assim conseguem fazer excursões de pré-temporada, não só preparando os jogadores, mas também garantindo uma boa renda. Ou seja, acredito que o Campeonato Brasileiro deveria ser disputado durante toda a temporada, que começaria e terminaria no meio de cada ano, assim como é na Europa. Além disso, a Copa do Brasil poderia continuar com o mesmo formato, porém com todas as equipes, e os campeonatos estaduais deveriam ser eliminatórios, com as equipes entrando na competição de acordo com sua tradição e divisão nacional. E as competições sul-americanas (Libertadores e Copa Sul-americana) seriam estendidas por toda a temporada, com suas finais sendo o último compromisso das equipes.

As mudanças não seriam fáceis, porém diminuiriam a quantidade de jogos e protegeriam os clubes brasileiros de perderem jogadores importantes no meio da temporada. A minha dúvida é se a CBF realmente se interessaria, já que na sua defesa no caso da "Máfia do Apito", a entidade usou o argumento de que a paixão nacional pelo futebol não existe e não passa de estratégia de marketing. Isso vindo daqueles que deveriam cuidar dos interesses futebol brasileiro e seus torcedores.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Futebol? Não, “Zebrabol”!



O futebol é o esporte mais adorado no Brasil e também no mundo, não apenas pelo jogo em si, mas pelas surpresas que ele nos proporciona e pelas viradas mais espetaculares. Quem nunca ouviu os ditados: “O futebol é uma caixinha de surpresas” ou “Nem sempre o melhor ganha”. Nessa última semana tivemos provas de como o futebol pode ser surpreendente e imprevisível.

Começando pelos jogos de volta das semifinais da UEFA Champions League. Todos os especialistas e comentaristas do mundo do futebol, salvo algumas exceções, apostavam todas suas fichas que a dupla espanhola, Real Madrid e Barcelona, seriam os finalistas que jogariam no estádio Allianz Arena, em Munique, no dia 19 de maio. Porém estavam errados.

No primeiro jogo, entre Chelsea e Barcelona, mesmo com a vantagem do empate para o time inglês, a certeza de que em casa os catalães iriam conseguir uma vitória fácil ou até mesmo golear era muito grande. Mas o time inglês se superou e mesmo com um jogador a menos, durante boa parte do jogo, conseguiu jogar no erro do adversário e empatar em 2 a 2, classificando-se assim para a final.

Já no segundo jogo, Real Madrid e Bayer de Munique, muito se falou sobre como o time da capital espanhola não teria vida fácil contra os alemães, até porque a final será em seu estádio, mas que o Madrid conseguiria passar. Isso não aconteceu e o time alemão irá jogar uma final de Champions League inédita em casa.

Foto: Portalclick.com.br

Já aqui em terras tupiniquins as “zebras” ficaram por conta de dois dos times mais tradicionais do Brasil, Palmeiras e Corinthians. Favoritos ao jogarem contra dois times do interior de São Paulo nas quartas de final do Campeonato Paulista, ambos acabaram sendo eliminados, transformando um jogo que todos acharam que seria um Derby Paulista, em um Derby Campineiro.

Os dois maiores times de campinas, Ponte Preta e Guarani, fizeram jogos duros contra Corinthians e Palmeiras. A Ponte Preta conseguiu desbancar o líder do campeonato em pleno estádio do Pacaembu e o Guarani, em seu estádio, ganhou do Palmeiras com gols relâmpagos.

Por essas e outras tantas histórias que o futebol encanta muitas pessoas, mesmo com escândalos frequentemente no noticiário esportivo, como por exemplo, corrupção e violência entre torcidas. Mas acima de tudo é um esporte que mexe com todos a sua volta, pelas surpresas e “zebras” que nos proporciona.