Toda temporada ouvimos reclamações de técnicos e jogadores quanto ao excesso de jogos em um curto espaço de tempo e o pouco tempo de descanso. Ao meu ver, a origem do problema é muito clara: o Brasil é o único país de grande expressão onde o campeonato nacional não é disputado durante toda a temporada. Isso ocorre pois temos os campeonatos estaduais, que tomam quase metade da temporada. Mesmo sendo muito tradicionais, essas competições não têm mais o mesmo "charme" de antigamente e muito menos o mesmo interesse dos torcedores.
Os estaduais, hoje, têm um formato que apenas atrapalha o calendário do Campeonato Brasileiro. Com excesso de times, é muito difícil ver "zebras", e assim normalmente os clubes grandes vencem. E porque tantas equipes e jogos se sempre os mesmos times vencem? Não sou a favor do fim dos estaduais, mas sim da adaptação deles num calendário que possibilite pré-temporadas longas e descanso entre os jogos.
Vejo uma solução muito clara: a adaptação do calendário brasileiro, ao calendário inglês. E porque o inglês? Pois no país onde surgiu o futebol as equipes grandes disputam até 4 competições durante a temporada: o Campeonatos Inglês, a Copa da Inglaterra, a Taça da Liga e uma competição continental (Liga dos Campeões ou Liga Europa), e ainda assim conseguem fazer excursões de pré-temporada, não só preparando os jogadores, mas também garantindo uma boa renda. Ou seja, acredito que o Campeonato Brasileiro deveria ser disputado durante toda a temporada, que começaria e terminaria no meio de cada ano, assim como é na Europa. Além disso, a Copa do Brasil poderia continuar com o mesmo formato, porém com todas as equipes, e os campeonatos estaduais deveriam ser eliminatórios, com as equipes entrando na competição de acordo com sua tradição e divisão nacional. E as competições sul-americanas (Libertadores e Copa Sul-americana) seriam estendidas por toda a temporada, com suas finais sendo o último compromisso das equipes.
As mudanças não seriam fáceis, porém diminuiriam a quantidade de jogos e protegeriam os clubes brasileiros de perderem jogadores importantes no meio da temporada. A minha dúvida é se a CBF realmente se interessaria, já que na sua defesa no caso da "Máfia do Apito", a entidade usou o argumento de que a paixão nacional pelo futebol não existe e não passa de estratégia de marketing. Isso vindo daqueles que deveriam cuidar dos interesses futebol brasileiro e seus torcedores.

Nenhum comentário:
Postar um comentário